Younger Warfare- Intro: Sticks & Stones

“I know not with what weapons World War III will be fought, but World War IV will be fought with sticks and stones”

        Uma clássica frase dita por Albert Einstein. Uma frase que nos faz reflectir sobre onde é que este mundo vai parar com tantas guerras inúteis entre nós. Acho que é interessante aproveitar esta ocasião para analisar um pouco como era a guerra no passado. E a quão a humanidade parece ser idiota pela maneira de como aceita os erros do passado.


        Imaginem um tempo, há muitos anos, muito antes de Cristo… Bem, devemos supor que as guerras eram literalmente sticks and stones. Até que alguém se lembrou que teria vantagem quem tivesse o pau mais comprido ou a pedra mais afiada. Então o pensamento chegou mais longe e percebeu-se que atando uma pedra extremamente afiada ao topo de um pau comprido se formava uma lança, um novo objecto muito mais poderoso do que o pau e a pedra separados. E depois de se dominar o metal e fizeram-se objectos compridos e afiados chamados espadas que podiam cortar pessoas ao meio. E que tal se substituíssemos as pedras afiadas no topo dos paus e as trocássemos por pedaços de metal afiados e as usássemos juntamente com umas cordas e um outro pau para podermos criar um potente objecto chamado de arco que fosse capaz de, com um simples puxão para trás, atingir um inimigo que estivesse a alguns metros de distância? E porque não ir avançando desse mesmo modelo para ir criando com o tempo arcos mais poderosos que lancem a maiores distâncias? Ah, claro! E as pedras maiores sempre podem ser postas em “colheres gigantes” atadas em bases chamadas de catapultas para poderem ser lançadas a enormes distâncias! Wow! Se bem, que após algum tempo isso fica aborrecido demais… Então por quê, em vez de catapultas, não fazer objectos cilíndricos gigantes chamados de canhões que funcionassem com pólvora e onde metêssemos lá para dentro uma enorme bola e aquelas cenas fossem projectadas a distâncias absurdas? Isso sim, é revolucionário! Ah! Mas nada tão revolucionário como quando os Chineses conseguiram reduzir esses poderosos objectos a algo ainda mais poderoso e mais pequeno que não necessitasse de ser carregado por rodas para a batalha. Algo que pudesse ser simplesmente segurado nas mãos de uma pessoa e activado simplesmente carregando num botão. As armas de fogo. Inicialmente eram apenas arcabuzes e pequenas pistolas de pouca potência carregadas com pólvora, até passarem a ser usadas balas. E até passarem a poder voar cada vez mais longe. E até poderem a passar, em vez de ser bala a bala de cada vez, serem montes de balas quase ao mesmo tempo. Onde por cada vez que se carregava no gatilho saía uma bala sem ter que se recarregar, de uma maneira “semi-automática”. Ou até depois, onde por cada vez que se segurava o gatilho saíam montes de balas, tudo totalmente automático. E antes que pudéssemos dar conta, já estávamos na 1ª guerra mundial a matarmo-nos com caçadeiras e metralhadoras. E logo chegam as bazookas, as sub-metrelhadoras, as snipers, as espingardas de assalto. E consecutivamente as Magnuns, as M1911, as MP40, as Thompsons, as AKs-47, as Makarovs, as M16, as MP5K, as M4A1, as Barrets M82, etc. Enfim, O armamento moderno e covarde de hoje em dia. E claro que não pode esquecer os acessórios: Miras cada vez mais modernas… Red Dots… Scopes… Silenciadores… Grips… Lança-granadas… E quando notamos já estamos a matar sem vermos o que matamos. Já não estamos a atirar pedras e a bater com paus em inimigos. Estamos a disparar balas e a matar pessoas a metros e quilómetros de distância. Às vezes nem é preciso tanto, afinal sempre podemos simplesmente apertar um botão e uma cidade inteira é pulverizada sem sequer vermos. Mais ou menos um bocadinho como Hiroshima ou Nagasaki. Podemos estar simplesmente a distâncias absurdas da acção sentados num helicóptero a matar gente sem eles sequer saberem o que aconteceu depois de darem o último suspiro. Enfim… Num mundo com tantas armas inúteis espanta-me como tantos tenham esquecido da arma mais poderosa de sempre: o cérebro humano. A verdade é que com a descoberta de tantas maneiras de nos matarmos uns aos outros, é justo afirmar que essa arma regrediu. Bastante. E, pelo que eu vi, o cérebro tornou-se tão fraco ao ponto de achar bem matar por meros pedaços de chão e ideias diferentes que é difícil dizer se alguém ainda usa esta “caixinha misteriosa” para o bem. Tenho pena do cérebro. Muitos dizem que só usamos 20% dele e ninguém se preocupa em usar mais.


        É curioso falar disto, pois era exactamente com estas ideias que eu estava a vaguear em mente enquanto estava naquela altura, num estado meio adormecido, com a minha cabeça debruçada sobre os meus braços durante a aula de Geografia. Bem, nisto e também sobre quais deviam ser as próximas armas que eu ia modificar no Call of Duty. Oh a ironia! Que linda que era antes da setora interromper os meus pensamentos bélicos do nada e berrar-me nos ouvidos:


        -FÉLIX! ACORDA!


        Quando eu me levantei e vi que a minha tentativa de me isolar do mundo fracassou e que eu ainda estava na sala de aula, fiquei surpreendido ao ver que apenas alguns da turma estavam a rir-se de mim. Curiosamente apenas os meus amigos se riam. Pois são esses que se importam o suficiente comigo para notarem nas porcarias que faço. De resto os outros estavam, como sempre, a falar para o lado e a passar tudo no caderno, mesmo que não estivessem a ligar a nada ao que a setora dizia, enquanto as raparigas ficavam nos seus lugares a pintar as unhas com verniz (Maldito verniz com cheiro horrível… Nunca entendi a utilidade daquela coisa, nem acho que fique propriamente bonito…) e a mandar SMS para as amigas e para os namorados, como se a professora fosse cega e não estivesse a ver nada. Distraí-me tanto a olhar para os lados para ver as idiotices dos meus colegas que nem ouvi bem a setora depois de me acordar subitamente no meio da aula. Só me lembro do que ela nos disse depois de que eu fui forçado a prestar atenção:


        -… Também não se esqueçam de levar alimentação suficiente para 3 dias e roupas velhas. Bom, é tudo, espero que estejam prontos para a nossa visita humanitária de finalistas à África. Lembrem-se de estar na próxima sexta no aeroporto às 9 e meia…


        Sim. Nós íamos viajar até aos postos da ONU e assisti-los a prestar auxílio aos desafortunados da África como “viagem” de finalistas. Claro que quando me disseram no princípio do ano que íamos viajar para a África eu fui o primeiro a pedir aos meus pais para comprarem os bilhetes para a viagem, afinal achei mais que óbvio que dizer “Viajar para África” era a mesma coisa que dizer “Viajar para o Egipto”, afinal sabia lá eu que ia passar pela cabeça de alguém ir à África central. Afinal na próxima sexta feira, assim que a escola terminasse, tinha que meter-me num avião que me ia levar àquele maldito inferno. Pelo menos, era assim que devia ser.


        Lá tocou para a saída. Entre empurrões e confusão, era a última semana de escola e claro que todos nós nos despedimos uns dos outros, afinal visto que nem todos podiam ir a África no final, haviam alguns colegas eu nunca mais iria ver de novo. Grandes amigos, quase irmão entre nós, que nunca mais iria olhar nos olhos de novo. Depois das despedidas apressei-me para a saída, com tanta vontade de sair da escola que tive a enorme sorte de ir contra uma rapariga que estava a tirar as coisas do cacifo. Parecia um momento num daqueles filmes chatos de adolescentes dos anos 80. Dado as coincidências que aconteceram depois é realmente um desses filmes que lembra. Fui contra ela, dei-lhe um empurrão sem querer e escusado dizer qual foi a reacção dela:


        -Fosgase, olha mas é por onde andas!

        Eu olhei para ela por um segundo. Notei no facto interessante de que ela estava a usar uma T-shirt do Death Note. Congelei por um segundo, e rapidamente disse:

        -Hey, desculpa aí…

        E fui andando.

        O que é que essa rapariga tem de relevante sequer? Dar de frente com uma rapariga é algo comum de todos os dias. E supostamente ela seria mais outra mera parte do relevo, que eu nunca mais veria de novo.


        E foi assim que saí da escola naquela sexta: Feliz por finalmente acabar o 9º ano por um lado, e ao mesmo tempo por outro um pouco triste por deixar certos amigos para trás. Não que isso me estivesse a preocupar muito, afinal muitos dos meus amigos iam também no avião na sexta seguinte. Mal eu sabia que na verdade eu ia sentir mais a falta dos que iam comigo no avião do que os que ficaram para trás, pois ao menos eu sei que os ficaram por lá eu ainda posso ir ter com eles e sei que estão ok. Provavelmente neste momento estão felizes a jogarem os videojogos deles ou se calhar chocados com as notícias e ainda a tentar recuperar do susto que possa ser para alguns, mas comparado aos outros até estão ok. Mas os que estavam comigo… Não sei se me deverei culpar, mas é um pouco difícil falar deles.

        Espero que não tenha sido doloroso para eles e que agora eles estejam em um lugar melhor. Nunca acreditei muito no inferno e nem no céu, mas tal como Gil Vicente diria… Espero que para onde quer que seja que eles tenham ido, tenha sido de “bolsão” vazio.  Ao menos se eles tivessem conosco podiam ter sido apanhados nos horrores que se seguiram…


		

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