Younger Warfare- Capítulo 2: Recepção implacante
Enquanto eu estava ainda a tentar recuperar totalmente os sentidos, com a mente em pânico e confusa, de tentar descobrir o que me acontecera, de como é que eu podia ter feito um corte desse tamanho e de como é que eu ia sobreviver sozinho no meio do nada, ouvi berros vindos do lugar do destroço. Corri até lá, mesmo que ainda meio zonzo. E foi ao chegar que encontrei, encostada a um pedaço da asa vertical, ninguém menos que a rapariga que me acompanhara na viajem. Ela estava em pé, com a camisa dela mais vermelha do que branca. Aproximei-me dela. Ela estava em choque. Nenhum de nós sequer sorriu ao avistar o outro. Não que houvesse razão para isso, mas enfim. Ela olhou para mim com o que foi provavelmente o olhar mais frio que já vi em anos. Encostei-me também na asa vertical ao pé dela e deixei-me “escorregar” para ficar sentado. Ela fez o mesmo. Ficámos algum tempo quietos, lado a lado, sem falarmos. O momento falava por si. Estávamos os dois em estado de choque, cobertos em sangue e sem qualquer reacção. Depois de alguns minutos, levantei-me de novo, com o meu braço ligeiramente melhor. Estendi-lhe o meu outro braço. Ela inicialmente não fez nada. Ficou apenas a olhar para a minha mão cheia de sangue do casaco. Tanto que tive que dizer:
-Sobreviveste só para ficares aí a morrer?
Ela olhou para mim de forma fria, para variar. E estendeu a mão dela, para eu puder puxá-la e pô-la em pé. Caminhámos lado a lado entre os pedaços de avião destruídos. Não houve um abraço. Não houve sequer um sorriso. Não houve nada de bom naquele momento, e agora que penso nunca haverá. Afastámo-nos da destruição causada pelo despenho e metemo-nos por algumas moitas na floresta. Fomos andando até encontrarmos um tronco velho derrubado onde nos sentámos. Ficámos calados e sem emoções a mais algum tempo. Ainda com esperanças de que ela dissesse alguma coisa, falei:
-Então? O que vamos fazer agora?
E ela não respondia. Nem olhava para mim. Insisti.
-Diz alguma coisa! Vá lá! Não podermos ficar aqui calados.
Ela continuava em silêncio, com os olhos focados nos restos de avião a arder, a não muitos mais que uns ¼ de quilómetro de nós. Ainda continuei a insistir.
-O que adianta fingires que não sabes que estou aqui? Vá lá! Reage!
Nada. Só me faltou dizer mais uma coisa…
-Por favor… Se não falarmos um com o outro, vamos acabar os dois malucos
Foi então aí que ela sorriu. Talvez a primeira vez que sorrira para mim. Ela não me estava a olhar nos olhos, ainda estava focada na destruição e nas chamas, mas sei que era para mim. Ela disse-me, ainda a sorrir e com uma voz surpreendentemente calma:
– O que queres dizer com “malucos”? Só porque os outros não nos iriam compreender, nós é que somos os malucos?
Ela respirou profundamente por um segundo, e continuou a dizer-me:
– Estamos perdidos no meio do nada. Acabámos de sair de um avião a arder. Como é que algum outro idiota ia nos entender se tentássemos explicar isto a alguém?
– Tu… Tens razão. Não vou argumentar contra isso. Mas isso não significa que nos tenhamos que tornar tão distantes assim ao ponto de não podermos falar mais como amigos.
Ela rebaixou o seu sorriso.
– Acabei de te conhecer do nada há provavelmente menos de 24 horas. Não sei porque havia de confiar em ti, “amigo”.
Eu calei-me. Não tinha mais o que dizer. Só depois de uns breves segundos em silêncio é que me lembrei de dizer:
– Se não confiares em mim, em quem vais confiar?
– Tu és realmente idiota. Não preciso de confiar em ninguém.
– Não podemos viver sozinhos no mundo sem “ninguém”. Temos que ter alguém ao nosso lado. Aliás, by the way, qual é o teu nome? Ainda não me disseste. O meu é Félix.
– Chamo-me Bianca, e caso penses que me podes dar lições de moral sobre como viver e confiar então não deves…
A nossa “entusiasmante”conversa foi interrompida ao ouvirmos passos do nada a virem na nossa direcção, não muito distantes, por entre as árvores. Ficámos os dois assustados. Depois começámos a ouvir vozes. Vozes não de homens ou mulheres. Vozes de crianças, praticamente de pirralhos, provavelmente mais novos do que nós. Ficámos quietos por um momento a ouvi-los vir na nossa direcção. Eram obviamente crianças.
-São miúdos Disse eu baixinho- Não sei se devemos confiar neles… Mas pode ser que eles conheçam algum bom lugar por aqui.
-Nem sabemos onde estamos!
-Ya, mas bem…São miúdos. Não nos vão fazer mal.
-Ficamos aqui e esperamos por eles passarem, é?
-Soa bem.
De imediato surgem alguns miúdos negros, uns 4 ou 5, que aparecem por entre as árvores a alguns metros de nós. Não os conseguia ver bem, mas eles pareciam-me ok. A primeira coisa que pensei foi “Óptimo, eles devem saber onde posso usar um telefone ou alguma coisa assim por aqui”. Só achei inicialmente estranho o facto de que mal eles nos avistaram sentados a primeira coisa que um deles fez foi apontar para nós e gritar algumas coisas estranhas aos outros em uma linguagem que não faço a menor ideia do que possa significar (Só me pareceu que não devia significar coisa boa), mas de uma maneira ou outra tudo soava bem até eu notar no que eles estavam a carregar.
Eles estavam a carregar armas.
E nenhum deles parecia ter mais do que 11 anos.
E qual foi a primeira coisa que eles nos fizeram? Apontar as armas, enquanto nos berravam algumas coisas que certamente deviam ser o equivalente a “Mãos no ar!” para eles. Pelo menos estávamos tão assustados que foi a primeira coisa que fizemos. Ficámos ali quietos. Quando eles se aproximaram de nós, que estávamos completamente imóveis, é que consegui bem analisá-los. Cada um deles vinha armado com uma AK47 que estava apontada directamente para nós, posicionada no ombro, tal como um soldado. Eles eram apenas miúdos e estavam com AKs. Enquanto uns ficaram a apontar para nós para garantir que não nos mexíamos, um disse qualquer coisa ao outro. Em seguida, esse mesmo disse-nos qualquer coisa e começou a andar. Admito, até agora ainda não percebi a linguagem em que eles falavam. Alguns empurraram-nos para nós os seguirmos. E assim fomos feitos reféns naquele dia. Por crianças. Não sabíamos para onde é que eles nos iam levar, só sabíamos que as ordens deles, mesmo não os entendendo, eram claras: Segui-los. Após andarmos um pouco menos que uma hora, já estafados de sermos forçados a segui-los, fartei-me de ter armas apontadas. Tentei falar em inglês para ver se algum compreendia:
-Listen! STOP! What are you doing? What’s going on? Why are you taking us as hostages? We did nothing to you! We! Friends! We! No hurt!
Mas eles gritaram ainda mais alto ao sentirem-se ameaçados pelas minhas palavras. Logo outro meteu-se á minha frente a fazer pontaria com a AK logo á minha cabeça, com a face, embora negra, pálida de raiva, como se eu fosse o inimigo em pessoa. Depois continuamos a seguir em frente por mais algum tempo, sempre com uma AK apontada à cabeça durante o caminho todo. O dia já ia longo… E onde é que isto ia dar? Vimos então um grande portão num lugar rodeado por um muro ocultado pelas altas árvores da floresta. Ao chegarmos lá, um dos miúdos gritou qualquer coisa e do outro lado e um homem negro e alto abriu-nos o portão – Provavelmente o primeiro adulto que vimos por aqui. Ao entrarmos, ficarmos surpreendidos. Lá dentro estava uma enorme base militar, onde fomos “recebidos” por um outro homem negro adulto, que olhou para nós e para o grupo que nos escoltava e gritou para irmos para uma direcção qualquer da base, na qual ele nos apontou. Ia dar a algo que aparentemente era a sala de conferências. Enquanto éramos levados, aproveitei para olhar á volta. Haviam literalmente centenas de miúdos negros a marcharem pela base enquanto seguravam em armas (Basicamente AKs 47 e 74 e algumas BARs), Enquanto outros estavam a reparar tanques e jipes em algumas oficinas. Alguns também estavam a fazer percursos de treino, enquanto seguiam ordens de instrutores. Racismo á parte, verdade seja dita: Nós éramos as únicas pessoas de pele branca que alguma vez teríamos entrado naquela base, e mal podíamos imaginar os problemas que isso nos traria.
Fomos levados para dentro da sala de “conferências”, que não era de conferências coisa nenhuma. Nem tinha bancos para nos sentarmos em condições. Sentámo-nos em um canto da sala. De imediato, um negro barbudo e alto, bem vestido com uma farda militar de bastante profile, já com a aparência de carregar alguns bons anos com a sua idade, chega-nos a berrar qualquer coisa que não entendemos. Até que o mesmo miúdo que me viera a apontar a AK47 no caminho foi ter com aquele homem e disse-lhe qualquer coisa ao ouvido.
O homem espanta-se de súbito, olha para nós de uma maneira um pouco mais descontraída, e começa a falar inglês.
-So! Who are you? Americans?
-No – Disse a Bianca – We are Portuguese. You know, from Europe…
-Ahhh! I know! The country from Cristiano Ronaldo! That guy who plays with the ball and gives kicks to the ball and stuff…
– Yes, he is a good player- Disse eu-Now why the hell are we being made prisioners at this concentration camp of yours?
-Not concentration camp, you Portugal idiots! You disgusting people are at the Moordenaars base! We are the most powerful tribe ever in Africa!
-Really? Because I never heard of you…
-Shut up, you Portuguese whore! Listen, we don’t like white skin people here in our base. How did you even get here?
-Our plane just blew up and felt a few kilometers away from here. We have no fault!
-Ha-ha, blew up? That was a good one! You are so funny! I would tell you more, but I will just go tell my message quick because I have more lands to conquer after this. You lucky survivors of the airplane disaster, ain’t you? Then we are only keeping you alive because we want you to work for us, even although you are despicable to us. But for that same reason it is useful for us to keep the crappiest in front of all. Boy… -Disse ele apontando para mim- You will be in the front lines from now on. In every single fight, in every single battle, you will always be the first one in the front. You will be our shield against the enemy and the one in front of all, so if you die then we won’t loose nothing that matters to us.
Ele tossiu e continou a falar:
-Oh, and you, girl… Girls are no need in battle. You, go straight to kitchen. You will make all of us food. We also like to use girls around here to… “Satisfy” us, but don’t worry, nobody will want to do it to you, you white skin ugly b****. So just keep feeding us if you don’t want to get wasted. Now dismiss. My boys will take each of you to your respective “work places”.
Não pude acreditar no que este sacana nos tinha feito. Dois rapazes mais velhos aparecem e agarram a Bianca e arrastam-na para fora da sala, enquanto outro aparece do nada e tenta-me forçar a ser arrastado para a zona de Infantaria da base. Protestei de imediato.
– YOU MOTHERFUCKER! YOU CAN’T DO THIS TO ME! YOU CAN’T!
-Gonna act tough, Boy?
-MY NAME IS FÉLIX, YOU FUCKING DICKHEAD!
-Keep your swear down and you can choose… Or you will kill for us or us will kill you. Which do you prefere?
E sem eu ter qualquer resposta possível ao trocadilho esperto vindo do péssimo inglês daquele gajo, fui arrastado para o dormitório da base. E onde eu estava prestes a conhecer um mundo completamente novo. Assim que fui empurrado para dentro dos dormitórios, foi mais ou menos como naqueles Westerns antigos, quando um cowboy entra num bar: Todos olharam para mim. Olharam para mim como se um ET tivesse a entrar na sala. Entrar por aquele dormitório, cheio de rapazes negros que me fitavam com frios olhares, foi o suficiente para me fazer acreditar que de um momento para o outro todos eles iam partir para cima de mim e encher-me de porrada por eu ter uma pele de cor diferente do que a deles. Porra! Lembro-me de uma vez contar entre amigos uma piada maldosa que vi na net: “Hey, sabem o que é branco em cima e negro em baixo? A sociedade!” e todos nos rimos na altura. Agora eu estava mais ou menos “Hey, sabem o que é castanho em cima e castanho em baixo? As minhas calças!”. Porque eu borrei-me todo ao ver aqueles negros a olhar para mim, com um aspecto ameaçador e quase prestes a matar-me. Aqueles não eram os “xibangas quiados da Amadora ca mania de gangstas” com que eu fazia piadas racistas em Portugal. Tanto que depois de atravessar os dormitórios até ao lugar onde estava a minha cama, que me foi “gentilmente”indicada por um dos “guardas” (Entendam “gentilmente” por levar um chute no cu e ser atirado para lá), pensei seriamente se devia voltar a fazer alguma piada racista na minha vida. Todos olhavam para mim, curiosos por um lado e furiosos por outro, a perguntarem-se quem seria esta criatura de pele branca que tinha entrado. Deitei-me em cima da cama, sobre os lençóis. E logo, após ficar um pouco quieto, tempo suficiente para os que estavam á minha volta deixarem pouco a pouco de me observar e voltarem às suas ocupações de fazerem a cama e polirem as suas armas. No meio daquele silêncio, disse baixinho e a pensar alto:“Merda”.
De súbito, assim que disse isso, um dos rapazes, com idade aparente de 11 ou 12 anos que estava na cama á direita da minha a examinar os carregadores da sua AK, olha para mim, e com um sotaque incomum mas não desconhecido perguntou-me:
– Tu… Disseste“Merda”?
Escusado dizer que a minha reacção foi:
– Mas espera, e tu falas Português?
– Tipo, eu sô lá d’Angola!
– Óptimo! Então podes me dizer onde é que raios estou?
– Ó pá! Tu tás…
– Hey, olha aí. Não precisas de me tratar por “pá”. Trata-me por Félix, o meu nome. E qual é o teu?
– Chamo-me Jawaad.
– Nome fixe. Agora continua lá a dizer onde estamos, Jawaad.
– Nós estamos…Nem sei. Praí pela África, não muito longe da África do Sul. Os tipos não nos dizem, tásaver?
– Então, não sabem onde estão neste momento?
– Não memo. Só sabemos que ‘tamos n’África, e já ficas com buédas de sorte de saberes, mano.
Olhei á volta para ter a certeza que os outros já estavam de volta da vida deles e sem prestar-nos atenção. Excelente, estavam. Aí sentei-me no lado da cama, e perguntei com um olhar e uma voz séria:
– Então… O que“estamos” a fazer aqui? Porque estamos todos cá?
– Xé, eu tou cá porque há umas becas de anos atrás eu fugi de casa…
– Por quê?
– Tásaver, o meu kota quinou e a minha kota casou-se com um branco aí cheio de mania que vinha sempre me dar porrada quando eu vinha da escola. Por isso, fugi. Foi aí que encontrei uns mambos que me disseram que eu ia prá um lugar que lá eles trão os seus motivos pra não dizerem onde, e que eu podia recomeçar a vida. Aí meteram-me num avião e fui práqui com eles. Pronto. Foi isso. E agora o que fazemos por aqui é aquela cena essencial, de mantermos a África pelo controlo dos Moordenaars e impedir que os Gewelddadige-Reëls dominem primeiro a cena.
-Peraí! Mas o que raios são o Mordenaros e os Geweldes-quaisqueres-coisas? O que se passa aqui?
-Somos tribos inimigas. Odiamo-nos e tamos em guerra. Se tu fosse dos Gewelddadige-Reëls já eras.
-Mas isso não justifica nada! Porque é que estão em guerra? Só porque não gostam um do outro?
-Porque temos objectivos iguais: Sermos os maiores de África.
-Ok… E porque é que querem lutar por isso? Qual é o propósito de…
Do nada, apareceu um homem que parecia ser a versão negra do Hartman do Full Metal Jacket. Veio ter comigo a apontar-me o dedo e a gritar como se não houvesse amanhã. Eu fiquei quieto, sem dizer nada, a tentar entender o que possivelmente pudesse significar o que ele dizia. Em seguida ele pegou numa AK47 e por um momento quase ia acreditando que ele me ia matar com aquela coisa, mas ao invés disso ele passou-me a AK47. Barafustou mais uma coisa ou outra e foi-se embora, saindo pela porta, deixando-me sentado de lado na cama a segurar na AK. Coloquei a AK47 encostada de lado na cama e perguntei ao Jawaad:
– O que é que este tipo queria?
– Nah, nada, tásse, esse mambo, o Thulani, só te queria entregar-te a tua arma. Tásaver… Agora essa arma é tua. Podes levá-la para onde quizeres e usá-la para o que quizeres, mas claro que só te dão durante a batalha as munições prás disparares.
– Então… Entendo. Agora estou “oficialmente” armado.
– É memo. Bem, mano, se eu fosse a ti, dormia já.
-Mas o sol ainda só se está a pôr!
– Ya, é por enquanto. Mas tu nunca sabes quando vamos ter que acordar por aqui, portanto é memo melhor começar já a dormir para caso que se comece a haver tiro lá prás 5 da manhã e tenhas ‘qir já tenhas descansado uma beca suficiente.
– Mas eu ainda nem jantei!
– Xé, o Thulani normalmente vem nos acordar a dar pancadas em panelas pra irmos prá janta. Digo-te memo mano, é boa prática para acordar rápido e prontares-te caso fosse um ataque ou uma cena do tipo!
– Ok… Então… “quia”…
– Tu também, mano.
Sem trocar de roupa, meti-me dentro dos lençóis e fui dormindo, apenas para ser acordado, acho que nem uma hora depois, pelo tal Thulani a bater com um pau numa panela e a gritar a todos o que certamente devia ser o equivalente a “O jantar está na mesa! Tirem os vossos cus preguiçosos da cama e venham cá!”. Fomos saindo pela porta e caminhámos em direcção ao refeitório. Enfim… Uma sala suja e sem qualquer cadeira ou mesa para nos pudermos sentar e comer. Então, como é que comíamos? Basicamente sentávamo-nos no chão e comíamos com a mão. Após estarmos todos sentados, uns a conviverem com os outros (E eu sem falar com ninguém, claro, apenas encostado na minha esquina a pensar na minha vida – Que naquela altura já nem parecia mais vida, mais parecia que eu já tinha ficado morto no avião), a porta da cozinha que ficava na sala ao lado abre-se e aparecem algumas raparigas, com uma idade, atirarei eu, de para aí uns 16 ou 17 anos, a trazerem tigelas de sopa. Tentei não dar muito nas vistas, mas obviamente o meu instinto masculino falou um pouco mais alto e observei as raparigas. Elas eram quase adultas, bastantes bonitas, devo dizer… Só é pena que uma delas tivesse óbvias marcas negras de alguma certa brutalidade, não sei vinda de quem, no pescoço. Bem, acho que isso pudesse resumir como eles tratavam as mulheres por aqui. Coitada da Bianca.
Elas serviram-nos as tigelas. Curiosamente, as sopas não estavam nada más até… Até que combinaram bem com o alimento que veio a seguir á sopa: Pão. Com algum chouriço lá dentro, isso é verdade, mas era pão.
Sim, é quase como uma piada: Fomos alimentados literalmente com pão e sopa.
Depois desta refeição, voltei para os dormitórios e deitei-me na cama. Pus-me debaixo dos cobertores, ainda sem mudar de roupa, e dormi descansadamente, pronto para os próximos dias de “acção”.
